Novela (que podia ser mexicana) com um número infindável de episódios e protagonistas a mais, vendida em pacotes económicos aos países do leste europeu. Enredo muito intrincado, malfeitores qb, doses exageradas de sacanices, facadas nas costas e muitas figurantes com língua de porteira. A única coisa que vale a pena no meio desta salganhada toda?! A protagonista, que interpreta este argumento sem mudar uma vírgula... ou não fosse isto a sua vida.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Os pratos da balança

Foi no Bairro Alto. Ela já nem se lembra, mas parece que tinham ido ao Pavilhão Chinês. No parque de estacionamento, com o carro em andamento, ele fala-lhe mais alto e manda-a parar o carro.

"Manda-a"? Sim, falou-lhe naquele tom que os homens gostam de usar, quando acham que mandam. Depois, com aquele seu olhar meio de lado, meio de frente, disse-lhe bem claro "Eu amo-te, entendes?!" Como se quisesse que aquilo lhe entrasse mesmo. Como se aquilo que ele lhe que estava a dizer, ela tivesse mesmo de entender, em todo o seu significado.

Ela, com o pé na embraiagem e a mão no travão, estremeceu, arrepiou-se-lhe o coração e gritou "Ai!". O ar sério dele contrapunha com a doçura do que acabara de lhe dizer. O ar de pânico dela contrapunha com seu estado de felicidade.
"Sim, entendo!" disse ela com o seu melhor sorriso. "Ah, bom!" pareceu dizer o sorriso dos olhos dele. E, sem deixar o carro ir abaixo, ela destravou e seguiu, com o entendimento profundo do seu amor.

Agora que sabem ambos o que andam a fazer, tudo parece muito mais claro. Ele é daqueles que gosta de tudo muito bem explicadinho. Ela é daquelas que gosta de explicar. Várias vezes, para que não restem dúvidas. E agora que ele já as dissipou claramente a todas, quando lhe perguntou se ela entendia, ela, que entendeu, acalmou e ficou bem mais feliz.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

They will understand...

Sendo hoje o Dia Mundial da Compreensão, calha muito bem.
Vão ter de compreender que eu tenho mais que fazer porque fui p... Bom, se calhar,é melhor não saberem.
Eu até contava, mas não tenho tempo... Tenho mesmo de ir. Alguma coisa, já sabem... comprem! Eu vou andar fora durante uns tempos, porque como já disse, fui p... Exacto! Aquilo que é melhor vocês não saberem. Vão por mim que eu sei que sim.
Vocês não saberiam lidar com isso. Eu própria ainda estou meio incrédula. Mas a verdade é que fui mesmo p... Sim, é só para o ano... mas é melhor não saberem!
Aconselho vivamente a leitura dos escritos anteriores. Atirem-se de cabeça ao meu passado. E se baterem com os cornos no chão... temos pena. Ou não!
Vá... entretenham-se sozinhos (e sozinhas, que eu também tenho meninas a lerem-me!) que já são suficientemente crescidos.
Vale-me a esperança de que vocês compreenderão. É que eu fui p...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Aos sábados

A Ana e o António estão na casa dos 30 e são casados há muito tempo. Tanto que, normalmente, se esquecem quanto.
A Ana e o António até gostam um do outro, mas há muito que deixaram de se "entusiasmar" um com o outro. Há muito mesmo. A Ana é bonita, mas está sisuda e recalcada. O António está gordo e a precisar de uma lavagem de estrada. Mas toda a gente acha que estão perfeitos, num casamento perfeito, numa vida mais que perfeita.
A Ana não fala de sexo com as amigas. O António exibe-se aos amigos. Diz que a Ana é uma bomba na cama, que o deixa louco e saciado. Gaba-se de comer tudo o que mexe, mas tomara ele mexer-se mais.
Aos sábados, lá em casa, é dia de lavar a roupa escura. Dia de lavar a casa-de-banho. De arejar o quarto e a sala. E o corpo. Aos sábados é dia de sexo. O António bem gostava que assim não fosse. Gostava que a Ana fosse mais dada. Que a máquina de lavar a roupa participasse na rambóia, durante a centrifugação. Mas a Ana nunca muda o figurino. Nunca. E é sempre e só aos sábados.
O António lembra-se de ser miúdo e sonhar com a Tieta. Com a areia, o calor e a loucura de uma mulher mais velha. A Ana sonha com o Roque Santeiro. Gostava de ser uma viúva Porcina, louca e insaciável. No fundo, lá bem no fundo, ela até é assim... mas recalca-se, aguenta-se, esconde-se. Aos sábados, até gostava-se de se soltar. Mas o António já não lhe dá pica nenhuma.
Por isso, aos sábados, a festa lá em casa é morna. Sempre igual, sempre no mesmo figurino, sempre na mesma onda.
E a Ana e o António sonham com novelas, na flor dos 30, num casamento que dura, mas não aquece.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Fácil de entender

Esta noite sonhei com leite derramado. Não sei onde estava, mas sei que alguém me disse que se pussesse fatias de pão por cima, depois seria mais fácil de varrer... E assim fiz. Espalhei pão por cima do leite entornado no chão.
Depois, acho que fui às compras, mas a coisa continuou a não correr bem. Em tudo o que pegava, o prazo de validade estava expirado. Fosse o creme hidratante ou os cereais tudo tinha, há muito, passado do prazo.
Já nem preciso de recorrer ao livro de interpretação de sonhos. Cada vez mais, os meus sonhos são óbvios. E fáceis de entender.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Levanta a cabeça, pá!

Sim, que isto de olhar para o chão, não está com nada!

Porque é que o raio do gato à porta do McDonlad's tinha de ser amarelo? E eu tinha de olhar para ele? O sacana olhou para mim, altivo, como quem me diz "Olha lá para minha coleira!"... E eu, que sou bem mandada e gosto de obedecer a gatos, lá olhei. Bem feita. O filha da p*** do gato tinha uma chapa com o nome gravado, em letras garrafais "HÉLDER". Pois.
E lá andou, a passear-se por perto, com uma confiança que não é normal os gatos darem a desconhecidos... e assim ficou grande parte do nosso almoço. Até que a menina do Mc lhe consegui ver o verso da chapinha e sacar o nº de telefone do dono, que rapidamente apareceu para levar o Hélder para casa.
Depois, lembro do que ele me diz "As coisas boas! Pensa nas coisas boas!". E faço por isso. Já que me estão sempre a lembrar que são tantas... Esqueço o Hélder perdido, a dor no ombro, a falta que me faz o meu pai, a minha casa que tarda, e os desgostos acumulados. E lembro-me que o Hélder encontrou dono, o ombro há-de sarar, o meu pai está sempre comigo e a casa está quase aí a rebentar!
E a Raquel quis furar as orelhas e eu fiz-lhe a vontade. Ficou tão feliz. E tão linda, com uma margarida pequenina em cada orelha!
A somar, tenho dois sobrinhos lindos. Um irmão e uma cunhada que se divertem a infernizar-me o juízo, e uma mãe me que atura e apara os golpes todos.
Mais do que isso, só me falta mesmo levantar a cabeça.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Olha o bicharoco!

Começámos o dia com um destes. A correr pela rua acima, numa bisga desmensurada! Lindo. De um castanho vivo, quase vermelho. É engraçado ver um bicho destes em plena cidade. Faz-me gostar ainda mais do sítio onde vivo.

Quanto ao significado do bicho... muito haveria para dizer!


Foto: environment to all, no flickr



No Xamanismo o esquilo significa preparação, planeamento, adaptabilidade e conservação. O esquilo nos ensina a planear e a prepararmo-nos para o futuro. Não use todas as suas reservas. Devemos sempre guardar alguma coisa para nos servir em tempos ruins. Prepare-se também para as mudanças periódicas. Entretanto, se você estiver acumulando coisas, livre-se delas. Faça um inventário. Procure saber onde você está gastando. Pode ser uma boa hora para se afastar um pouco de todos.
O esquilo não só nos ajuda a nos livrarmos de objectos físicos desnecessários como também de crenças negativas que minam a nossa confiança no amor e abundância.

Fonte: diccionário de símbolos

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Até as minhas noites são uma festa

Tenho andado com pesadelos quase todas as noites. E isto já dura há mais de uma semana. São daqueles tão nítidos que parecem reais e às vezes até tenho dificuldade em acordar.

Como sou fã do senhor que interpretou os sonhos, pesquisei e descobri que as 3 coisas com que mais ando a sonhar querem dizer isto:

:: Este tipo de sonho vem através de um recurso simbólico que pode indicar uma vontade louca, da pessoa que sonha, de se livrar de um(a) rival ou de um superior (chefe). Com você mesmo(a) - herança. Com os outros - contrariedades. Se escapar - vencerá obstáculos De qualquer tipo - significa que algo em sua vida está para mudar de forma brusca e repentina, em assuntos financeiros, amorosos e de saúde. Tenha cautela.

:: Problemas que terá que resolver, tendo que tomar decisões dentro de você, para buscar a sua felicidade.

:: De modo geral sonhar com isto indica problemas financeiros na família, amizades traiçoeiras, intrigas e prejuízos nas empresas novas. Procure não fazer negócios nos próximos dias.
Ah bom... fiquei muito mais descansada!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Água mole em pedra dura

É das coisas que mais preciso na vida. Sem ela, fico seca. Adoeço. E é tão simples.

Água. Muita água. Se não bebo, as areias do rins ficam por lá e as infecções visitam-me periodicamente. Portanto, é simples: água. Muita água.
Sem gelo, sem gás, sem açúcar, sem limão, sem sabor. Natural. Pura. Não vale a pena inventar. Eu preciso dela simples. Sem qualquer tipo de aditivo. Então... para quê complicar?!