Novela (que podia ser mexicana) com um número infindável de episódios e protagonistas a mais, vendida em pacotes económicos aos países do leste europeu. Enredo muito intrincado, malfeitores qb, doses exageradas de sacanices, facadas nas costas e muitas figurantes com língua de porteira. A única coisa que vale a pena no meio desta salganhada toda?! A protagonista, que interpreta este argumento sem mudar uma vírgula... ou não fosse isto a sua vida.

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Por cima de uma louca

Por todo o lado há gente que acha que a vida lhes deve.

Que passam por nós com cara de quem tem a plena convicção que veio ao mundo a saber tudo o que havia para saber. Que os parvos são os outros, que a vida foi inventada para os servir e o centro do mundo está plantado no seu umbigo.

São aqueles a quem eu normalmente acho uma certa piadola quando karma finally hits them. Uns mais tarde, outros mais pela fresquinha, todos sem excepção irão terminar com os cornos espetados numa qualquer parede e aí talvez aprenderao. Uns certamente, outros nem que a vaca tussa ou a porca torça o rabo. Há gente que nunca aprende, por muito estrago que faça. Mas ao menos, a vida dá-lhes umas dores de cabeça enquanto tentam desencaixar os cornos da dita parede.

Isto a propósito de? Da vizinha, claramente. E de como a vida em comunidade se torna uma coisa muito difícil quando nos calha uma tipa destas por baixo (salvo seja!).

Não estou a referir-me á minha vizinha, coitada, que se não é santa, para lá caminha, já que nunca a oiço, raramente a vejo e nunca me incomodou.

Refiro-me sim  á sra. dona vizinha da minha mãe. De seu nome Margarida Ines (o que por si só, já explica muita coisa) que sofre de graves distúrbios, os quais por não terem sido ainda diagnosticados causam transtorno a muita gente. A começar na dita e a terminar na senhora minha mãe, que não lhe fez mal nenhum, mas tem o verdadeiro azar de morar por cima da personagem.

A D. Margarida Ines é uma alma perturbada e devemos todos, sem excepção, ter muita pena dela. Eu não consigo porque devo ser uma besta. Isso, ou tenho dois dedos de testa. Desde que esta nova inquilina se mudou para o prédio, toda a dinâmica da coisa mudou. Desde pontapés a portas, gritos histéricos e malta a ser indentificada pela polícia (o meu irmao até pode ter sido o primeiro, mas não será certamente o último…) tem havido de tudo um pouco.

Há uns meses atrás, eram 9h da noite e a minha progenitora lembrou-se de ir cortar um coelho e temperá-lo para o dia seguinte (manias!). Convém dizer que a minha mae até nem é muito abrutalhada, pelo que o cortar do coelho não devia ser muito audível. Qualquer coisa equiparável ao bater de uns bifes.

Vai daí, a sra. D. Margarida Ines acorda estremunhada do seu sono tranquilo, veste o robe e vem bater á porta da vizinha de cima muito alarmada. “Ai vizinha, acordei assustada, a senhora está a serrar a esta hora?!

E a minha mãe sem muita paciência e as mãos cheias de sangue (do coelho) lá lhe responde que não, estava só a partir um coelho. E olhe, com licença que eu tenho mais que fazer. E porta na tromba que é o que se faz a quem tem pouco que fazer.

Ficaria a história por aqui, não fosse a D. Margarida Ines uma criatura perturbada. Atentem na missiva anexa.


Quando li, não sabia se haveria de rir ou chorar. Se isto não é um atestado de doideira pura, não sei o que será. Gosto especialmente da referencia ao "civismo" numa carta que não se assina nem se mandam cumprimentos, nem beijos ou abraços. Fiquei sentida!

O facto de ela reconhecer que ouve todas as chamadas telefónicas da minha mae até ás 23h é um tanto ou quanto pertubador e precisa de uma análise cuidada. "Ouve" como?! O telefone toca e ela "ouve" a minha mãe a atender ou "ouve" literalmente a conversa toda?! Parecendo que não, são coisas diferentes!

Há gente com pouco que fazer, há gente louca, há gente que nasceu para incomodar os outros, há gente que devia estar internada e anda por aí á solta. E depois há gente como a D. Margarida Ines que é isso tudo e mais um bocadinho.

Leva-me a crer que a D. Margarida Ines tem o sono muito leve. A minha mae é uma senhora educada em colégios de freiras e para que ela levante a voz é preciso mesmo muito. A minha mae tem conversas aparvalhadas com os amigos e a família no Skype, mas não tem riso histérico de teenager nem grita que nem uma maluca. A minha mãe é uma senhora de 66 anos que bebeu muito chá em pequenina e prefere incomodar-se a incomodar os outros.

Posto isto, esta carta é um perfeito disparate e a D. Margarida Ines, além de muita coisa de que a poderia apelidar, é, no mínimo, parva. E devia morar isolada numa moradia, atrás do sol posto (Caneças, talvez?!) para ninguém a incomodar.

A coisa também poderia ter ficado por aqui. Mas não. E nem teria piadinha nenhuma se assim fosse.

Há umas semanas tive de ir a Lisboa e, como é normal, reunimos a família toda para uma jantarada num sábado á noite. Uma espécie de Natal antecipado, já que há 3 anos que não passo o Natal com os meus sobrinhos, irmão, cunhada e afins.

Éramos perto de uma dúzia, com crianças pequenas á mistura e, sim, todos juntos falamos alto com’ó catano. O cozido á portuguesa, o vinho e o bolo rei ajudaram á boa disposicao e rambóia. Mas era só gente a conversar e a rir alegremente. Nada de música aos berros ou malta aos pulos.

Ás 9h40 da noite tocam á porta, não no patamar, mas na rua. A minha mãe pergunta pelo intercomunicador “quem é?” e como resposta leva mais um toque bem longo. E mais um quem é e um terceiro toque simpático de pelo menos um minuto. O meu irmão levanta-se e diz “Querem ver que é vizinha de baixo?!” e larga-se escadas abaixo para ver se a apanha em flagrante. Eu sigo atrás que o gajo até é calminho mas quando se passa, PASSA-SE mesmo. Vamos nós no 1o andar e vem a  D. Margarida Ines, de roupao (diz-se que nunca saiu de casa com outra coisa…)  a subir e diz com ar de enfadado, como quem carrega muitos pesos “Escusam de correr, fui eu que toquei!

E eu,  passada com a gaja (sim, aqui vai-se-me a educacao toda para as cucuias) “Oiça lá, mas porque é que você não sobe as escadas e toca na porta da minha mae e fala com as pessoas normalmente? Isto tem algum jeito?!”

E ela, com um ar que toda a gente lhe deve e ninguém lhe paga (lá está!) “Eu quero-me deitar com a minha filha e não consigo dormir! Voces estao a fazer muito barulho!

Minha senhora, é sábado, ainda nem 10h sao, é uma festa de familia e nós nem estamos a fazer assim tanto barulho. Se está incomodada, deveria ter ido lá acima queixar-se. Isto não tem jeito nenhum!!!

A tipa continua a barafustar e a dizer que quer dormir e o meu irmão diz-lhe de dedo apontado ao nariz “Você não volta a tocar assim na porta da minha mae, está a ouvir?!

E a gaja, de olhos semi-cerrados, dedo também apontado ao meu irmão sai-se com um “Toooooooco! Toooooooco!” (a arrastar os ós como estivesse com prisão de ventre). E eu a pensar cá com os meus botões…. Ui, tanta neurose a precisar de receita médica!

Ai não toca não! Porque se voltar a tocar, eu mando-lhe com um balde de água fria! (tão querido o mano… água fria costuma sempre acalmar, pelo que no fundo isto deveria ser visto como caridade!)

Está-me a ameaçar?!!

A mim pareceu-me, mas fiquei calada, enquanto topava o verniz no dedo indicador que a tipa apontava ao meu irmão e pensava “xiiiiiii, que cor de verniz tão merdosa!

E barafustando fomos andado no patamar e ao chegar perto da porta dela, está um gajo em pijama (tipo aqueles da Throtleman, cheios de bonequinhos) mãos nos bolsos, impávido e sereno.

Comecei a achar que a cena ía dar molho, o meu irmão passado, um gajo ali á porta, talvez disposto a defender o sono da D. Margarida Ines…. Passo pelo gajo na bisga, o meu irmão também, numa estratégia de claramente o ignorar para evitar mais desacatos. 

A vizinha ainda a estrebuchar e o meu irmão a insistir com o balde… começo a subir as escadas e vem a minha cunhada juntar-se ao filme. Mais a minha prima e outros quantos. “Olhe, o seu mal é que isto é uma festa de família e você nao foi convidada!”  É sempre bonito referir as fracas capacidades de sociabilização de quem nos chateia! Digo eu.

A tipa continua a insistir que não consegue dormir e eu como uma vontade enorme de lhe dar umas quantas sugestões cristãs – valeriana, valium, uma queca bem dada quiçá?! (ok, esta menos é cristã, mas muito eficaz, a meu ver…) mas a controlar-me estoicamente! Em vez disso saiu-me um “Sabe que mais, chame a policia!

 Ai chamo, chamo!
-       
          E lá entra para casa, o gajo sempre mudo e tungas, porta nas trombas.

Voltamos todos para casa, um bocado parvos com a cena, mas a achar que a coisa tinha ficado por ali.

Qual quê, é o ficas. A tipa chamou mesmo a polícia e nem 20 minutos tinham passado quando abrimos a porta a 3 (sim, três!!!) polícias. A vizinha queixou-se do barulho e que foi ameaçada. E temos de identificar a pessoa que a ameaçou. Ah… oh mano, estes senhores querem falar contigo!

E como a malta lá em casa estava toda um bocado inflamada com a cena, sai-se a minha prima: Oh senhor agente, isso é que foi rápido. Eu na semana passada assaltaram-me a casa, levaram-me o ouro todo e o portátil do meu filho e os senhores levaram 3 horas para aparecer!!!

-          - Oh minha senhora, depois do assalto consumado, chegar 3 horas ou 10 horas depois vai dar no mesmo!

Eu que normalmente até tenho um poder de argumentação do camandro fiquei KO com a resposta do policia. Sim senhor, sem palavras...

E lá se mostra o cartão de cidadão e se dá a morada e a profissão e se explica a ameça que se fez. Um balde de água fria, senhor agente. Sim, confirma-se, foi isso que a senhora disse.

Eu, completamente incrédula com a história toda disparo sem pensar um “Vá lá, é maluca mas nao é mentirosa!” e atiro-me ao polícia a fazer perguntas sobre a lei do barulho e a insanidade das pessoas.

Para que saibam (que eu também nao sabia) a lei do barulho mudou e enquanto antigamente se podia alarvar até á meia noite num sábado, agora sempre que alguém se sinta incomodado o barulho tem de cessar! Está mais do que visto que a Sra. Dona Margarida Ines já nasceu incomodada pelo que qualquer alfinete que tenha o azar de cair na tijoleira lá de casa vai certamente importuná-la.

Não deixei de perguntar ao senhores agentes e então se a vizinha for tola? E falei da carta e do coelho, ao que um dos agentes desatou a rir. Há um histórico por detrás disto, correcto? Correcto, mas nós só estamos a responder a esta occorrência e não sabemos de mais nada. Tendo ainda se prontificado a explicar que, não sendo eu psicóloga ou psiquiatra, não podia dizer que a senhora era tola, pois até ele podia ser tolinho e eu não saberia dizer com certeza (que confiança que este polícia me inspirou, senhores!!!!).

Resumindo e concluindo, faz favor de fazerem menos barulho, que a vizinha quer dormir, correcto? Oh sim, senhor agente, que nós somos bem mandadinhos e educados. 

Mas se esta idiota de primeira apanha continuar com estes filmes eu juro que ajudo o meu irmão a encher o balde! Haja pachorra.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Dois mil e 13



Um brinde a um grande ano e venha o próximo, se possível tao bom. Nao que tenha sido prefeito. Longe disso. Mas aos 37 anos aqui a menina já interiorizou que as coisas perfeitas nem sempre sao as melhores.
Tirando os episódios tristes e que nao deixaram saudades, o ano de 2012 até que foi supimpa. E posto isso, toca de comemorar a coisa com pompa e circusntacia.
Sendo nós dados a festa, comecámos a comerar a 22, pois nunca é cedo para a rambóia.
Festa de anos de uma amiga num clube todo jeitoso, com direito a jantar e  animacao. Sendo que a animacao foi o Deal or No Deal com malta do público. O pessoal era escolhido pelo bilhete que tinha deixado á entrada. Chegada a altura de chamar os nomes, os nossos amigos foram estrategicamente fumar um cigarrinho. E diz o gajo “estou cá com um feeling que ou me chamam a mim ou a ti!” Bem dito e bem feito. Última pessoa a ser chamada… euzinha! Gajo respira de alívio enquanto eu vou para o palco com mais 20 sem ponta de ideia do que era para fazer. Fiquei sentadinha mesmo á frente da coluna. Um mimo… até os pelos da nuca se arrepiavam. O jogo nao era nada de especial, o gajo que ganhou levou 10 libras de prémio (podiam ter sido 250) e eu levei umas jelly slices que é uma cena da família das gomas.

Depois disso dancámos, bebemos, pulámos, bebemos, rimos e bebemos mais um bocadinho. Ao todo devo ter bebido… hum… perdi a conta. Sei que ao 4o disse que nao bebia mais e depois desse ainda bebi pelo menos mais 2. Pelo menos. Apanhei a maior cadela da minha vida. Que é como quem diz que me empielei. Nada como ter amigos dados á paródia e a servir-nos rum com cola como se nao houvesse amanha.

Já devia ser perto da uma da matina quando me viro para o gajo, meia enrolada e lhe confidencio “Oh mor, o que e que se passa comigo que estou a olhar para os bifes e a esforcar-me como o raio, mas so lhes vejo as bocas a mexer e nao percebo puto do que eles estao a dizer?!” Entre gargalhadas o gajo lá me disse “Estás bebada!

Ah bom. Antes isso. Estava a ver que se me tinha estragado o botao da traducao. Nada habituada a estas andancas (de bebedeiras, que festa é comigo!) a ressaca só me chegou 2 dias depois. Típico. Mesmo a tempo da Consoada.
A noite de Natal foi calminha. Sem criancas (nossas) e sem grandes excessos, passou-se. Facto digno de registo, a cotovelada nos queixos que levei da senhora minha sogra. Sem comentários, sim? Parece que Foi sem querer.
Já o reveillon, com 14 pessoas lá em casa, o gajo de servico aos camaroes tigre e aos discos pedidos, a coisa prometia.
Tugas misturados com bifes dá sempre uma cena jeitosa! Desde ver quem já emborcou umas quantas cervejolas a mais a falar na língua natal para quem nao percebe puto (e o ar de espanto de quem ouve mas nao quer dar bronca porque o gajo até é simpático e coitado... está bebado!) a gajas que acham que vivem num sitio decente e saem para rua descalcas e pisam um preservativo (a sério que nao sei o que me apoquenta mais… se ter pisado o raio da coisa com o meu pézinho descalco ou o facto de saber que anda malta a pinocar á minha porta!!).
E os bifes a dancar a Bicho do Iran Costa?! Ui, ui. Sim, o nosso (do gajo) gosto musical anda pelas ruas da amargura. De tal maneira que depois de vermos na televisao o fogo de articicio em Londres, até o hino nacional se ouviu.  E houve champagne, passas e muito assobio. E tarte de amendoa, de morango, cupcakes vindos de Portugal (sim, eu sei, é estranho, mas é assim mesmo) queijinhos nacionais, que eu digo mal de muita coisa no meu país, mas nunca ninguem me viu dizer mal da comida.
Fizemos carradas de trocadinhos com ‘corner’, ‘faca’, ‘piece’ e outros tantos. A língua é uma coisa muito traicoeira e olhem que nao é só a portuguesa. Para quem nunca ouviu “Italian man goes to Malta” (procurem no You Tube, vale a pena) isto é chines, mas enfim. Ou por exemplo oicam o James Blunt a cantar “there’re no quiet corner” no Stay the Night e depois digam-me lá se eu nao tenho razao. Se nao perceberam, esquecam. A serio que nao vale a pena.
Enchemos o bandulho, bebemos como se nao houvesse amanha e divertimo-nos a bruta. E enquanto eu dizia mais umas alarvidades alguem me respondia no alto da sua bebedeira “now, now… behave!” Me? Really?! Never.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não há fome que não dê fartura



E queixo-me eu de que tenho uma vidinha muita pacata. Pois sim!! Nas últimas 3 semanas tivémos uma festa de anos para organizar, um baptizado onde fomos os padrinhos, e ainda a visita do mano da filhota (retratada ali mais abaixo).
Parece que não mas já fazia falta um fim de semana mais sossegadito. Claro que se arranja sempre que fazer. E lá fomos á Carter’s Steam Fair que é assim qualquer coisa saída de um filme dos anos 20. Carrosséis movidos a vapor, slot machines muito do velhinhas e no fim um fogo de artifício fantástico. Tirando a lama até aos joelhos (sim, literalmente) foi muito divertido. As saudades que eu tinha de usar galochas…(coisa que cedo me apercebi ser um "must have" neste país!).

Pelo meio… avariou-se o forno. O que para mim é quase o fim do mundo. Adoro assados (peixe, porco, vaca, frango.... you name it!) Faco baguetes todos os fins de semana e aquela cena agora não aquece. Remediámos o mal com o grill que (ainda) funciona. E almocámos ás 4 da tarde. A ver vamos.

Ainda pelo meio, o meu gajo foi duas vezes a Amesterdão, uma perninha até Munique e ainda esteve uma semana em Barcelona. Vidas difíceis.

Os putos lá andam, a mais velha agora louquinha para que eu lhe compre uma viola. Vai ser bonito… se ela for dura de ouvido como a mae, os ensaios lá em casa vao ser, no minimo, sofridos.

Também pelo meio comprovou-se a minha fraca (nula) apetência para a matemática. E se a pequena não quer levar os trabalhos TODOS errados para a escola basta que não peca ajuda a mãe. Eu devia ter vergonha de escrever isto. Mas não tenho. O meu saudoso pai sempre disse que "vergonha é roubar e nao saber fugir!!”. E cada um é para o que nasce. Mais que provado que a razão da minha vinda ao mundo está distante dos números. Muito distante.

E como não há fome que não dê fartura, tanto me queixei de que não acontecia nada de excitante, que na 6a feira passada levei com uma tipa bêbada/drogada a cuspir-me perdigotos e a ameacar que me arrancava a cabeca.  A dita não gostou que eu fosse na rua de braco dado com a minha mae, deve ter sido. Isso ou a minha farta cabeleira loira… Vai daí, quando passa por mim, dá-me um safanão enquanto despeja metade do pacote de batatas fritas no passeio. Diz um “sorry” de boca cheia e cospe mais umas quantas batatas. Enquanto dá uns tropecoes á nossa frente a minha mae sai-se entre dentes com um “realmente…” E eu limito-me a observar o triste espectáculo.

A fulana, lá chateada com a vida que não lhe devia ir a correr nada bem, vira-se para trás direita a mim de dedo em riste “What did you say?!” volta-se para a minha mae e diz qualquer coisa como “You’re an old lady, you should know it’s not nice to talk on other people’s necks…” Ao que eu calmamente, de mãos no ar e numa de resolver a coisa diplomaticamente lhe digo “Hey… we don’t want any trouble mate, just go on” (se isto nunca resulta nos filmes, porque é que havia de resultar na vida real? Fraca experiência em gerir conflitos, está visto...)

A tipa ou não gostou do meu sotaque ou não percebeu o que eu disse ou, aponto mais para esta última, o tico e o teco estavam demasiado dopados e o que ela queria mesmo era armar um circo, vai de “You don’t fucking talk to me like that…I’ll chop your fucking head off!!!”.

Não sei o que foi mais assustador. Se o ar alucinado da tipa, se os perdigotos e batatas fritas que ela cuspia cada vez que falava ou… o ar divertido da minha mãe a assistir á cena! Nao há duvida que a idade é um posto. 

Feita a ameca, eu muito queitinha que se há coisa que o meu pai sempre me ensinou é que aos malucos se diz sempre que sim, a rapariga lá seguiu caminho e foi á vidinha atormentada dela.

Atravessámos a rua para o outro lado, nao vá o diabo tecê-las, e fomos vendo a meliante a varrer a rua toda a esbracejar e a falar sozinha. 

Mais tarde, no nosso destino, descobrimos que a rapariga é senhora da vida e dada a zaragatas. Eu sempre a fazer amigos nas esferas certas, hein? E ainda tivemos direito a espectáculo quando parada em frente á esplanada onde estavámos a almocar, a rapariga baixou as calcas e mostrou o sim senhor a uns client… senhores que a devem ter importunado.

E pronto. Prometo que não me queixo nos próximos tempos, ok?
Depois de escrever isto de uma assentada, releio e safa! Até me canso… queixa-te, queixa-te.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Vá lá... emigrem!



Há uns anos atrás ele gostava de me apresentar como "a minha madrasta" aos amigos. O facto de ser apenas 2 anos e meio mais novo que eu tornava a coisa meio estranha e ele achava um piadao a isso. 

Com os anos, o nascimento da irma e muitas histórias depois (umas boas, outras nem por isso) hoje tenho-o como bom rapazinho e nao deixa de ser o irmao da minha filha.

Ontem veio visitar-nos e trouxe a namorada. A L. é gira, simpática e toda despachada, adorou Reading e nem teve assim tanto frio (pelo menos até ás 6h da tarde!).

Almocámos lá em casa e depois fui mostrar-lhes o Centro da cidade. Como isto é zona cidade muito comercial ela deliciou-se com as compras, ele nao se importou e andámos todos felizes depois de chocolates quentes, cafés sem acucar (blargh!) e chá ingles.

No final da tarde parámos no ex-libris desta cidade que é o restaurante Batista's Grill. Mais umas bebidas, uns dedos de conversa e nem sei bem como o tema foi parar nos/nas ex e em quantos/as tinham sido. E pronto, o desgracado do rapaz, em minoria, lá caiu na berlinda. E dizia a L. “Ele a mim disse-me que eram quarto, confirma-se?!”.  Eu, a fazer contas de cabeca… “Entao, a da escolar… como que ela se chamava?! Pois essa! Depois… a oficial com quem ele casou…” 
Ainda eu ía a meio de me lembrar da seguinte e a L. diz “Ai… sabes que ele tem um recalcamento com essa!? Ele nao fala sobre o assunto é porque esta recalcado!!” Pobre do rapaz "Euuuuuuuu?!

E diz a boa da B. mais conhecida como a cozinheira mais famosa de todo o Thames Valey “Ai isso entao se está recalcado, nao conta!”. Tudo a rir (excepto a filhota, entretida no Samsung do mano).

Eu lá continuo com a minha contagem e ao fim nao bate certo (boca porca que nao sabe estar calada!) E diz ele espantando “Entao? Qual é que falta?!

Eu, que nao resisto a uma confusao bem armada (é muito mais forte que eu!) “Aquela, muito girinha de cabelo preto. Foi entre beltrana e sicrana! Ai… mas tu nao te lembras?! Ela estudava arte  e tu chegaste a aparecer lá em casa com os pais dela!” (cruzes rapariga, que mais valia estares muda!!!).

Ele, muito pensativo, a comecar a corar um bocadinho, com cara de quem está mesmo a fazer um esforco para se lembrar… lá diz, mais com ar de gozo do que embaraco… “Ai… eu já nao me lembrava dessa!” E lá a custo se lembrou do nome dela. 
E a B. prontamente diz “Se nao te lembras, tambem nao conta!”. Foi gargalhada geral, da porta do restaurante á cozinha, passando pelo balcao! A gente é da casa… ninguém se queixou! (que eu saiba!).

Lá descobrimos que a L. e a B. fazem anos no mesmo dia (amanha!!) e que com muita pena nossa nao vamos a Londres jantar com a L. e o mano da filhota… Temos os anos da B. e mesmo Londres sendo ali ao virar da esquina, a filhota tem aulas cedinho no dia a seguir.

Mas passámos um dia de galhofa, passeio e boa comida (ora… comigo a cozinhar, so podia, né?!).
E eles ficaram de voltar no boxing day para eu levar a L. ás compras. Melhor, melhor era emigrarem. Nao? Vá lá… a filhota ficava feliz e eu tinha companhia para a galhofa!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Last one of the year

Não vou escrever mais este ano. Tenho a cabeça cheia, o coração a deitar por fora e um mão cheia de pendentes para resolver.

Do tipo, o que fazer com um stand-up do Cristiano Ronaldo, que ganhei (???) num passatempo de uma rádio e uma marca de shampô para a caspa (coisa que eu nem tenho)... A "coisa" tem 1,85 m de altura por um cm de espessura e meio metro de largura. Está lambuzada ao nível das coxas (de tanto beijo que a minha princesa lhe espeta) e empata com'ó camano. E nem o posso colocar no ecoponto, pois o gajo é uma mistura de plástico com cartão. E queimá-lo deve soltar gases tóxicos. Logo a mim que não acho piadinha nenhuma ao rapaz! Enfim...
E depois... depois, ainda há presentes para embrulhar com um toque especial, compras para fazer (óleo, farinha, ovos e açúcar em quantidades colestróicas) telefonemas para fazer, jantares para marcar, o resto dos postais para enviar pelo correio (sim, eu envio postais de Natal)... e mais meia dúzia de coisas que agora não me lembro.
Pelo meio, o mano mudou de casa e ainda não lhe ligaram o gás. O que faz com que ainda não saibamos onde vai ser a Consoada. Eu e mais 13. Pelo menos sempre tem o efeito surpresa.
Seja onde for, há que carregar sacos e sacos de presentes, comida em exagero, 4 crianças, 2 jovens enjeitados (eu e mais um) 3 viúvos, 1 tia solteirona (não, eu já estou nos enjeitados), 2 casais felizes, 1 cão e 1 cadela.
Contas feita... vai ser como todos os anos, lindo!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

We survived!

Mamãe está em casa desde 5ª feira e correu tudo bem.

Nós, as desamparadas, safamo-nos bem, tirando uns pequenos reveses, normalíssimos para quem não está habituado a fazer a ponta de um corno.
A princesa esteve muito maior do que seria suposto. Ajudou à grande, não fez uma única fita e apenas chorou uma vez, com saudades da sua avózinha.
Agora que ela está em casa, diz que a "outra avó" (a de antes da operação) era melhor, pois esta não pode ser apertada nem abraçada à bruta (no qual ela é especialista).
Verdade seja dita, o balanço é positivo! Os animais sobreviveram, as plantas continuam viçosas (porque não lhes toquei) não queimei um único jantar, a miúda não passou fome, continua gira e cheirosa e eu, apesar de mais torta(das costas, entenda-se) consegui ir trabalhar todos os dias, sem me esquecer de a deixar na escola antes.
Deu para ver que, com um pouco de organização, espírito e boa vontade, sou capaz de dar conta do recado. E isso deixou-me super orgulhosa.
Quanto aos reveses...
:: Enganei-me no caminho duas vezes. Uma para o trabalho (acho que o meu subconsciente queria ir para o Colombo) e outra para a escola da criança (não faço ideia o que o subconsciente queria);
:: Parti uma peça fundamental da máquina de lavar roupa e até 4ª feira, a máquina não funciona (o que nos valeu foi a vizinha do 5º, um amor de pessoa, que se ofereceu para nos ir lavando a roupita). O senhor da loja de peças aliviou a minha consciência quando disse que é normal aquela peça partir-se. É muito azar... a 1ª vez que mexo na máquina, tunga!;
:: Bati com o carro (duas vezes). Nada de especial, mas chateia, num carro com menos de dois meses...;
:: Levei raspanete à grande da fisioterapeuta, por ter faltado ao tratamento e estou a relaxantes musculares (como me dizem amíude "tu queres é drogas!");
:: Ontem, numa atitude altruísta (o que em mim dá sempre mau resultado) ao querer ajudar a minha mummy a tirar os pensos, com medo que ela se sentisse mal, quem ía desmaiando era eu. Não foi bonito;
:: A xuxu pequena sangrou do nariz, sem razão aparente;
:: Tive um grande e um pequeno a fazerem queixa de mim no emprego (por "grande", entenda-se que importa, por "pequeno", caga nisso). Parece que está na moda e qualquer dia ainda fundam um clube! Ai, custa tanto ser gira...
:: O meu íman para atrair coisas estranhas, desta vez trouxe-me uma brasileira. Que me enviou uma mensagem a pedir para responder a um questionário para a sua tese sobre... biquinis brasileiros.
Agora vou ali avaliar a minha subalterna, que nem sabe que hoje é dia de avaliação anual e está feito galo emproado a responder-me torto. Acho que vai ser divertido.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Levanta a cabeça, pá!

Sim, que isto de olhar para o chão, não está com nada!

Porque é que o raio do gato à porta do McDonlad's tinha de ser amarelo? E eu tinha de olhar para ele? O sacana olhou para mim, altivo, como quem me diz "Olha lá para minha coleira!"... E eu, que sou bem mandada e gosto de obedecer a gatos, lá olhei. Bem feita. O filha da p*** do gato tinha uma chapa com o nome gravado, em letras garrafais "HÉLDER". Pois.
E lá andou, a passear-se por perto, com uma confiança que não é normal os gatos darem a desconhecidos... e assim ficou grande parte do nosso almoço. Até que a menina do Mc lhe consegui ver o verso da chapinha e sacar o nº de telefone do dono, que rapidamente apareceu para levar o Hélder para casa.
Depois, lembro do que ele me diz "As coisas boas! Pensa nas coisas boas!". E faço por isso. Já que me estão sempre a lembrar que são tantas... Esqueço o Hélder perdido, a dor no ombro, a falta que me faz o meu pai, a minha casa que tarda, e os desgostos acumulados. E lembro-me que o Hélder encontrou dono, o ombro há-de sarar, o meu pai está sempre comigo e a casa está quase aí a rebentar!
E a Raquel quis furar as orelhas e eu fiz-lhe a vontade. Ficou tão feliz. E tão linda, com uma margarida pequenina em cada orelha!
A somar, tenho dois sobrinhos lindos. Um irmão e uma cunhada que se divertem a infernizar-me o juízo, e uma mãe me que atura e apara os golpes todos.
Mais do que isso, só me falta mesmo levantar a cabeça.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

As férias! Ai, as FÉRIAS!!!!

Bom... apesar do humor de cão, cá vão as novidades. Humor de cão, porquê? Ora... porque se acabaram as férias (FANTÁSTICAS, aliás) porque vou trabalhar 2ª feira e porque devo ser das poucas pessoas que consegue queimar o... couro cabeludo. Bem, queimar não, escalpar mesmo! Tenho-o ás risquinhas. Mas já lá vamos.
Comecemos pelo início.
Barcelona. Passados 12 anos. Muito bom. Calcorreámos o que foi possível. Metro para cima, metro para baixo. Mas consegui levá-las onde queria: Sagrada Família, Parc Güel, Ramblas e... Ciudad Condal.
Valeu a pena. Foi um dia grande, enorme.

Almoçámos às 3h da tarde, à espanhola, no Ciudad Condal. Dizem que é o nome antigo da cidade.

"Los mejores montaditos y cervezas de la ciudad"

E vieram os montaditos de solomillo, de jámon, de tortilha de batata, de bacalhau... e as claras (tipo panachés) e os gordos (azeitonas verdes... das gordas) e as bravas (batatas coradas) e muito pão com tomate. E, obviamente, repetimos! Mas não conseguimos ir às sobremesas. Mas lembro-me que o creme catalã (tipo o nosso leite creme) era divino e haviam uns profiteroles de babar. É sempre um motivo para ir lá outra vez!

Engraçado... este restaurante abriu no ano em que lá estive pela primeira vez, 1997. E diz a minha Mãe " Como é que te lembravas do nome da rua?" Não lembrava! Mas sabia onde ficava e nada como a net para ajudar.

Depois, Platja d'Aro revelou-se melhor que a encomenda. O hotel era muito agradável, apesar de parecer uma estância familiar. Mães e pais rodeados de filhotes. E mais nada! Tudo casado e pais de filhos.

Piscina enorme. Descer umas escadas e... praia fantástica, com uma água do mais transparente que pode haver. Só achei um senão: a areia. Não era areia. Eram pedrinhas pequeninas que faziam doer os pézitos e não me deixaram caminhar à beira mar. Todas as belas têm um senão, certo? Nada de muito mau.

Animação q.b. para os mais novos. A pequena fartou-se de cantar e dançar. E mais uns entreténs para os graúdos, sendo que o espectáculo de flamenco na última noite foi do melhor.

A comida era boa, o quarto agradável. Cama óptima, apesar da Raquel pontapear quem estivesse num raio de 2 metros. E abençoados tampões de silicone que comprei na farmácia. É que há alguém na família que ressona. Só um bocadinho.

Voltando ao início. A pequena quis trancinhas. E a mãe da pequena também quis. A pequena andava de chapéu o tempo todo. A mãe da pequena, não. A pequena não quer tirar as tranças. A mãe da pequena tirou-as, porque achava que eram as tranças que estavam a fazer comichão. Mas não.

A cominhão vem do escaldão que a mãe da pequena (eu, porra!) apanhou no cocuruto! Moral da história: tenho o couro cabeludo às riscas. E a incomodar-me que é uma coisa estúpida.
Ainda pensei em after sun, mas prezo o (pouco) cabelo que tenho. Vai daí, fui ao frasco do pó talco e estou grilhasalha. Mas com menos cócegas.

Férias muito boas. Muito boas, mesmo!