Novela (que podia ser mexicana) com um número infindável de episódios e protagonistas a mais, vendida em pacotes económicos aos países do leste europeu. Enredo muito intrincado, malfeitores qb, doses exageradas de sacanices, facadas nas costas e muitas figurantes com língua de porteira. A única coisa que vale a pena no meio desta salganhada toda?! A protagonista, que interpreta este argumento sem mudar uma vírgula... ou não fosse isto a sua vida.

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quarta-feira, 4 de março de 2009

Ele já sabia

A primeira coisa que te pedi, foi um abraço. E tu abraçaste-me.
Desde esse dia, cada abraço teu é um retemperar de forças. Uma necessidade básica, como respirar, comer, dormir. Da qual já não consigo prescindir. E o teu abraço é qualquer coisa de fantástico.
Nunca ninguém me perguntou tantas vezes se estou bem. Se estou melhor. Se preciso de desabafar mais, chorar mais, espingardar mais... Nunca ninguém me contou tudo, o bom e o mau, como tu contaste. Sem falsos pudores, com a alma limpa e sem medo de se expor, como tu fizeste. Achei por bem fazer o mesmo.
Não te baralhaste, nem confundiste com tanta informação. Não te assustaste com as amigas alucinadas e prontas para a linguagem viperina. Quiseste, incluive, conhecê-las. Pensei que te comessem vivo, cortado às postas. Mas não. Receberam-te bem porque foste tu mesmo. Sem medos.
Depois, o tempo que parece voar quando me abraças e ao mesmo tempo pára lá fora, corre devagar quando me olhas e sorris. E quando me dizes que acreditas, eu deixo-me ir contigo, atravesso a ponte e pisco o olho ao Cristo Rei.
No fundo, acho que Ele já sabia. Quando olhava para Ele todas as manhãs e lhe perguntava "Então? Que raio é que Tu me andas a preparar? Isto faz-se????", Ele estava só a brincar e a queimar tempo, até nos colocar frente a frente, um com o outro. Agora, que nos emparelhou como duas ovelhas tresmalhadas, já pode ir à sua vida e cuidar de coisas tão ou mais importantes. Porque no fundo, foi só um adiar.... porque no fundo, Ele já sabia.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Sonho dourado


O da minha avó era ter um Jaguar.

Hoje deu-me para pensar no meu... Uma Loja de Miudezas! Mas não uma retrosaria qualquer. Não, de certeza.

Com vitrines antigas em madeira, daquelas que têm gavetas grandes com frentes em vidro e que abrem por cima. Com um balcão corrido, grande e muitos potes com milhares de botões de todas as cores e feitios.

Tecidos, muitos, botões, fechos, alfinetes, linhas e agulhas... Tudo muito colorido, arrumadinho e intercalado com muitas peças feitas por moi même.

Tinha de ser grandita, para ter espaço para o tear e para a roda de oleiro e ainda o forno (se é sonho, tem de ser à grande!).

Um nome giro, que ficasse no ouvido, provavelmente com duplo sentido, como eu gosto. Talvez Galinha dos Ovos de Barro, Retiro das Agulhas, Pano para Mangas ou Botões de Prumo...
E eu tinha de ter tempo... Para as minhas malas, para o meu scrap (novidade!) para as minhas tintas, colas, vernizes e pincéis.
Se fechar os olhos, consigo vê-la. Numa rua da baixa, de uma certa cidade. Toda branca, para que as cores brilhassem. Com o nome por cima da porta, numa prancha de madeira, pintada à mão.
Já que não tenho loja, nem tempo, nem dinheiro, nem ao menos um mísero esboço... ao menos sonho!

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

E tu?

Neste momento, há seis mil milhões, 470 milhões, 818 mil e 671 pessoas no mundo.
Algumas estão tristes, outras radiantes.

Algumas estão a fugir assustadas.
Algumas estão de regresso a casa.
Algumas mentem para chegar ao fim do dia.
Outras, estão a enfrentar a verdade.
Alguns são homens perdidos, em guerra com os bons.
E outros são bons, a lutar pelos perdidos.
Seis mil milhões de pessoas no mundo.
Seis mil milhões de almas.
E às vezes, só precisas de uma delas para todo o teu mundo fazer sentido...
6,470,818,671


E tu?
Identificas-te?

Já não passava por ali há uns tempos...

terça-feira, 17 de julho de 2007

Deus e os barbeiros

A autoria não é minha, apenas traduzi.

Um homem vai ao barbeiro para cortar o cabelo e aparar a barba.
Como de costume, mete conversa com o seu barbeiro, sobre os mais variados assuntos.

A dada altura, o barbeiro diz ao cliente que está convicto que Deus não existe.

-
Porque diz isso?

Olhe lá, se Deus existisse, você acha que haveria tanta miséria e maldade no Mundo?

O homem não respondeu. Pensou um pouco e depois disse-lhe:

-
Estou convicto que os barbeiros não existem!

Como assim? Se eu sou barbeiro e estou aqui?

- Então… Se os barbeiros existissem, não haveriam pessoas como aquele homem que acabou de passar, de cabelo comprido e barba por fazer…

Ah… mas isso é porque as pessoas não me procuram!!

- Ora aí está. Esse é o ponto. Deus existe, as pessoas é que não O procuram.

domingo, 22 de abril de 2007

Incentivo

O texto que era para vir para aqui hoje, não tinha nada a ver com isto. Era o relato de um jantar fantástico, em Vila Nogueira de Azeitão... mas outros valores se impõem. Depois resolvo se o faço ou não.
Estou um bocadinho... com uma pontinha de.... pronto, confesso, estou vaidosa!
Foi o primeiro texto que enviei para um concurso. Acho que vai servir de incentivo para outras andanças.
Já não é a primeira vez que faço links para o blog deles. Este é feito com um “Parabéns ao Vencedor” e um “Vocês são grandes Ser Ajuda!”.
Não por terem escolhido o meu texto. Mas pelo Concurso, pelo empenho e por tudo o que põem de vocês naquilo que fazem. Vê-se que é com alma.
Fica o texto.
Não acreditar
Já foi moda ser cristão, católico praticante. Agora é moda o quê? Não sei. Acho que só me vou actualizar nessas coisas quando a minha filha chegar a adolescente e se referir a mim como “cota”.
Engraçado, a minha filha é cristã desde que começou a falar. Pelo menos, só nessa altura é que eu me apercebi disso. Quando tinha menos de dois anos, perguntou-me o que eu tinha pendurado ao pescoço e eu respondi-lhe que era o Jesus da mamã. E ela, intrigada, questionou-me “E onde está o Jesus da Raquel?”. É óbvio que passou a ter um. Ainda mal andava, pediu-me para entrar numa Igreja para ir ver o Jesus.
Nas nossas andanças por terras de Vera Cruz, sempre que via uma Igreja, não se calava enquanto não a levávamos lá. Muitas vezes me interroguei… “Como é que ela sabe que é uma Igreja?” Há pais que desde cedo falam aos filhos sobre religião, Jesus Cristo e os ensinam a Oração da Noite. Não foi o caso. Apenas respondia às perguntas dela…
Um dia a olhar um céu fenomenalmente estrelado, numa praia deserta, ela abriu os braços e disse “O céu do meu avôzinho…” Fala dele como se o tivesse conhecido, embora ele tenha morrido 3 meses antes dela nascer. Pediu-nos insistentemente uma foto dele para pôr na mesa-de-cabeceira. Mas houve um período em que virava a foto e quando lhe perguntava porquê, respondia-me que não aguentava olhar para ele. Há uns meses, abraçou a fotografia e chorou desconsoladamente, enquanto entre soluços dizia “Tenho tantas saudades do meu avó!”. Por diversas vezes ela diz que quando for grande, a avó será pequenina, como se compreendesse alguma coisa sobre vidas passadas ou reencarnações.
Não consigo entender como é que ela tem tanta curiosidade sobre Jesus. Mas há coisas que não são para entender. Como o facto de eu acreditar em Deus. Ou como ela dizer-me que sabe que tudo vai correr bem. “Raquel, como sabes isso?”, “Foi o Jesus, mamã. Falou comigo ontem à noite e disse-me.” Dirá quem lê, é bem mais fácil para uma inocente de quatro anos do que para um adulto presunçoso e egocêntrico, acreditar em Deus. Crianças acreditam em tudo, até no Pai Natal, no Coelhinho da Páscoa e na Fada dos Dentes. Pois, concordo. Mas a crença da Raquel é genuína, nada tem de marketing ou publicidade barata. Não foi uma verdade transmitida ou imposta, apenas a constatação de que existe.
Ao invés disto, e porque para haver verdade tem de haver mentira, para haver sim tem de haver não, há quem não acredite. Em nada! Não só em Deus ou Jesus Cristo, mas simplesmente, não acreditar em nada. Os ditos agnósticos, ateus… abstémios de religião. Como é possível viver assim? Não é um julgamento, mas uma sincera incompreensão. Se ao acreditar em Deus me vejo tantas vezes impotente para justificar tanta coisa, como o faria se não acreditasse? Será mais fácil apenas dizer que Ele não existe, e é por isso que o Mundo está assim? O ódio, a repressão e a violência sobrepõem-se ao amor, à liberdade e à paz porque Deus não existe… será essa a justificação dos ateus?
Na minha vida de três décadas e pouco tenho-me cruzado com diversos tipos de ateus. Os que já acreditaram e se deixaram disso, porque a vida lhes foi cruel e concluíram que isso justificaria a inexistência de Deus. Os que nunca acreditaram. Os que, nem sabem porquê, não acreditam, porque não conhecem, porque nunca ouviram falar, porque não entendem. Dá trabalho ser cristão! Praticante então, nem se fala…Mas será mais fácil, pura e simplesmente, não acreditar em nada?
Quando morre alguém, qual é o maior consolo de um cristão? Que quem morreu estará melhor, mais perto de Deus, em paz. E um agnóstico, que pensa? Olha, morreu, morreu! Acabou. Enterra-se e pronto. Convenhamos, ser cristão tem o seu quê de romantismo, acreditar na vida após a morte, em coisas eternas, em almas e anjos da guarda. E qual o sentido que um agnóstico define para a sua vida? Nasce-se, vive-se e morre-se. E mais nada. Além de ser pouco, é infinitamente triste. Quase como não sonhar. E o que fazemos sem sonhos? Vivemos ocos, não será?
Eu concordo que um Céu límpido e povoado por seres alvos e carregados de luz, em contraposição a um inferno escaldante de sofrimento e dor são visões difíceis de defender, de justificar. E à porta de entrada o São Pedro, a definir quem vai para onde, é um cenário tanto ao quanto cinéfilo, mas temos de concordar que o argumento está bem escrito e chama-se Bíblia.
Quando era miúda e me vinham com a teoria da descendência dos macacos, eu contrapunha com um arrogante “Eu descendo de Adão e Eva!” E lá voltamos ao romantismo! Pode não ser muito fácil de sustentar, mas é muito mais bonito do que descender de um… símio.
Há uns dias, enquanto me lamentava de uma atitude de alguém de quem gosto muito, um agnóstico dizia-me “É lixada essa coisa de ter de dar a outra face, não é?”. Não deixa de ser uma metáfora. Há várias formas de dar a outra face, e em vez de lhe dar a outra face, apenas lhe deixei a porta aberta para outra oportunidade. Embora saiba, de antemão, que a atitude que esse alguém possa vir a ter, me venha a magoar mais que a segunda bofetada.
Não é fácil, mas no fim acaba por ser mais reconfortante do que fechar a porta definitivamente. Muitos não crentes já me perguntaram como é possível acreditar sem ver, acreditar e justificar o que vai mal no Mundo. Talvez tivesse os meus motivos para deixar de acreditar… perdi um irmão, um pai, bons amigos, entes muito queridos.
Há cinco anos atrás, passei uma temporada de escuridão, em que não fui eu, não fui ninguém… apenas passei. Tenho penas como toda a gente, carrego pesos na alma como o ateu que não acredita.
Mas penso: tenho 31 anos de vida, se a minha filha com quatro anos não precisa de provas que Deus existe, porque hei-de eu precisar?

domingo, 8 de abril de 2007

Comentário

Este link não vale só pela história que conta.
Vale sobretudo pelo comentário que alguém lá deixou.
Estes meninos vão longe. E vou andar por lá para ver.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Aguentas-te à pastilha?

É suposto estarmos numa fase de reflexão. De renovação.

Pelo menos para os cristãos, como eu.
Gosto especialmente da minha Igreja. Pelas pessoas que lá encontro, pela paz interior que me transmite, mas especialmente porque me conhece. Além de saberem o meu nome, são muitos os que conhecem a minha essência.

Muitos anos, muitas vivências, muito companheirismo... Pessoas que quando perguntam “como estás?” não o fazem por uma questão de educação, mas porque querem mesmo saber como estou. Como o que sentou hoje ao meu lado.

Cheguei há pouco da Via Sacra e fiz uma coisa que não fazia há muitos, muitos anos: confessei-me.

Será conveniente explicar que a confissão com o Padre da minha paróquia, não é uma confissão dentro dos moldes normais. Primeiro porque ele me conhece há muitos anos. Depois porque ele não é um padre como os normais. No bom sentido, é claro.

Ás vezes, esquece-se do meu nome. E para se lembrar, faz piadas - de gosto duvidável - com ele, do tipo “lembrei-me porque andava com problemas intestinais” (flora intestinal....). Mas hoje lembrava-se.

Além de me segurar nas mãos e olhar-me nos olhos, enquanto lhe falo, o Padre da minha paróquia pergunta-me coisas como "aguentas-te à pastilha?" como quem diz "não te vais abaixo com isso, pois não?".

Acaba por ser mais uma conversa informal sobre o estado geral da minha vida, do que propriamente uma confissão. É por isso que gosto.

E depois de me ouvir, de me dizer que realmente não é fácil, diz-me que nunca é tarde para encontrarmos o nosso caminho.

Acabo por concluir que tenho muita a coisa a meu favor. Posso não saber para onde vou, mas sei que nunca irei sozinha. Por isso, tenho mais é que me aguentar à pastilha.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Paternal

Um qualquer prédio no centro de Lisboa.
Cheguei mais cedo, tal é a ânsia de resolver isto.
Chego-me à janela... 6º andar. Chove. Há escadas de incêndio por todo o lado, terraços, varandas fechadas. Dezenas de antenas e outras tantas parabólicas. As traseiras dos prédios em Lisboa são tão disformes. Nem chegam a ser feias... apenas disformes. Cada um fecha a varanda como lhe apetece, cada um veda o pátio como lhe dá na real gana.
Está um dia cinzento. Demasiado cinzento. À chuva junta-se o nevoeiro e não se consegue ver muito longe.
Por incrível que pareça não tenho uma caneta, pelo que começo, mentalmente, um esboço deste texto.
Com falta de melhor que fazer, procuro um ponto de referência no horizonte. Penso “para que lado fica o rio?”.
A dada altura, vejo-o. Mesmo à minha frente, como se me dissesse “Estou aqui!”.

Como é possível que se veja daqui? Nem é assim tão alto...
Mas lá está! Mesmo à minha frente. Eu sei, no fundo, eu sei, mas sabe bem lembrares-me que estás aí.
Chegou a hora. Começou. Estou nervosa. Não está a correr a bem! Será que ainda não vai ser desta?! Ui... está mesmo a correr a mal! Olho pela janela. Bolas, o nevoeiro aumentou. Já não vejo nada... Espera, procura melhor... tem de estar!!! Lá está! Altivo e confiante, como que a dizer-me “Acalma-te, estou contigo!”
Eu sei... no fundo, eu sei. Nunca me deixas sozinha. Estás sempre comigo.
Está a correr melhor. Afinal, parece que até se vai resolver.
Acabou. Resolveu-se.
Eu sabia... no fundo, eu sabia que me ias ajudar.
É bom saber que estás sempre comigo.