Novela (que podia ser mexicana) com um número infindável de episódios e protagonistas a mais, vendida em pacotes económicos aos países do leste europeu. Enredo muito intrincado, malfeitores qb, doses exageradas de sacanices, facadas nas costas e muitas figurantes com língua de porteira. A única coisa que vale a pena no meio desta salganhada toda?! A protagonista, que interpreta este argumento sem mudar uma vírgula... ou não fosse isto a sua vida.

Mostrar mensagens com a etiqueta o que usava toga. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta o que usava toga. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Das paixoes



Dos meus ex namorados há pelo menos 3 que me odeiam visceralmente. O número pode aumentar para 4 ou até 5. Mas com certeza, sei de 3. Sao os tres que fizeram peixaradas á minha porta, me chamaram tudo e mais alguma coisa, me apagaram do hi5, do facebook, da vida. Que usaram de tudo para saber da minha vida. Um pelas amigas, outro mandando seguir-me e tendo meia Lisboa a controlar os meus passos (o que faz ter guito e conhecer muita gente). O terceiro, quase que nao diria que o ódio e visceral, mas lá perto. Nao me mandou seguir ou controlou os meus passos, mas durante uns tempos andou a rondar-me o blog como se nada fosse.

Os outros dois serao sempre uma incógnita. Esvaneceram no ar. Nao que a coisa tivesse acabado bem, longe disso. Mas finaram-se de uma maneira que nao sei dizer se me odeiam ou nao. 

Depois há aqueles em que o trauma nao foi assim tao grande, em que a educacao, a moral e os bons costumes (deles e meus) permitiu que as coisas permanecessem civilizadas até hoje. Desses, tenho o número de telefone, o email, o facebook, a morada de casa. E sei que se um dia, por qualquer motivo lhes ligue ou escreva, vao receber-me com um sorriso, responder-me prontamente e perguntar se está tudo bem, com vontade de saber a resposta.

Nao que sejam melhores pessoas que os primeiros (no fundo, até sao) mas nao houve estrago de maior. Nao houve choradeira e finais dramáticos. Nem deles, nem meu. Lembro-me de um deles no dia em que terminámos dizer-me enquanto me abracava “Tu nao precisas de um namorado, precisas de um amigo!”. E nesse dia amaldicoei-me por nao me ter apaixonado por ele. Mas estas coisas nao se escolhem. Quanto muito procuram-se. E sim, eu procurei algumas! Meti-me em algumas alhadas jeitosas. Mas fui-me safando. 

No fundo, continuo fiel a máxima de que mais vale arrependermo-nos do que fazemos do que daquilo que deixamos por fazer. Por isso fiz tudo. Desde 400km pelo Brasil profundo atrás de sacana que me trocou por tudo o que tinha saia. Outros 2 mil e tal kms/mes durante um ano e meio, quando todo o santo fim de semana ía para a parvónia porque tinha a certeza que ele era o homem da minha vida. 

Se me arrependo? Talvez sim, talvez nao. 

Nao fosse um deles e nunca teria ouvido Ornatos Violeta ou Emir Kusturica e Goran Bregovic. Outro e nao teria visto “O fabuloso destino de Amélie Poulain”. E o Pascal Obispo (cujo nome é um anagrama para Pablo Picasso. Sabiam?!). 
 E toda a discografia pop dos anos 80. Sim ele tinha TUDO o que possam imaginar de música dos anos 80. E dancava que fazia raiva!

E The Prodigy. Ok, nao gosto, mas ao menos posso dizer que conheco. Nunca teria ouvido Miguel Torga a ser lido para mim. Nunca teria ido a Manchester (agora, talvez fosse mais fácil). Nunca teria ido ao Bairro Alto tantas vezes e até tao tarde. Talvez nunca tivesse recebido uma carta de amor. Daquelas que se escrevem quando se está perdidamente apaixonado, de coracao nas maos e se escreve carradas de vezes que vai ser para sempre. Talvez nao tivesse escrito tantas. Talvez nao tivesse escrito um diário, porque ele estava longe. Mas assim nao lho poderia ter dado e visto os olhos dele brilharem (gajos de letras… a gente escreve-lhes e eles derretem-se). Talvez nunca me tivessem feito uma serenata (ok, ele nao chegou a cantar, mas nao fez diferenca!).

Talvez nunca viesse a descobrir que a capital de Madagáscar é Antananarivo (geografia nunca foi o meu forte). Ou de que nao gosto de gin tónico. Mas adoro quizzes e adorei ganhar um no Montijo há uns anos atrás (a vitoria foi matraquilhada pelo dono do estabelecimento, mas isso agora nao interessa nada).

Ou que conduzir um Volvo x90 novinho em folha com o travao de mao puxado acima vai fazer alguém ficar muito mal disposto…. (epic failure!). 

Talvez nunca tivesse dancado tanto e tao bem. Talvez nunca tivesse rido tantas vezes, com tanto gosto ou chorado outras tantas.

Mas sempre aprendi alguma coisa, certo? Certo! Tal como aprendi que há coisas na vida que nao se forcam. Nao se fingem, nao se conseguem só porque se quer muito.

E aprendi a dar valor a quem tenho comigo. E a todos os momentos, por mais pequenos que sejam. E a fazer tudo de coracao. Sempre.

O que usava toga



Há dias em que me lembro de ti. Nao que aconteca muitas vezes. Nao por ser 5 de Outubro e ter algum significado revolucionário. Só porque me lembro de ti. Verdade seja dita, lembro-me mais dos miúdos. De como estarao crescidos e diferentes. Pergunto-me se se lembrarao de mim (sim, eu sempre tive uma ponta de egocentrica). Pergunto-me se o G. continua louco por animais, a escrever cartas de amor como as que me escrevia a mim e esquisito para comer e a L. princesa como só ela, com apetite de camionista e a correr com os pés para fora, como tu. E tomo consciencia de que aprendi a viver sem os abracos ternos deles, os sinceros “adoro-te” e com a ausencia de noticias sem que doa. Já nao faz mal.

Em que mais penso? Que a mágoa passou. Que há muito tempo que deixou de doer e fui á minha vida como tu foste a tua. Nao penso nas coisas más. Penso que te perdoei. Quer dizer… mais ao menos. Perdoei-te por mim. Nao pela minha cria. O instinto maternal leva-me a confessar que nunca te poderei perdoar nesse flanco.

Mas o bom é que hoje consigo pensar no que aconteceu sem que pareca que o meu mundo desabou. De que nao havia luz ao fundo do tunel. Foi o que senti durante muito tempo. Mas, como tudo, passou e há muito que deixou de doer. Nao deixou de doer hoje. Aconteceu há uns anos atrás. Deixou de doer no dia em que deitei fora todas as cartas, todos os presentes, todas as fotos e lembrancas que tinha vossas. Num saco cheio de pedacinhos de papel, pedras, anéis de arame e flores secas deitei fora tudo o que sentia.
Mas hoje, ao ouvir uma musica que me lembrou de ti, tomei consciencia do que sinto.

Há muito tempo que me deixei de analisar o que aconteceu, os porques, as hidden agendas por detrás de tudo o que se passou. Nao foi bonito, foi triste e negro. E tentar percebe-lo matou-me por dentro durante o que, para mim na altura, pareceu uma eternidade.

Lembro-me da última vez que ouvi a tua voz. A desmarcar pela terceira vez um encontro em que me prometeste explicar tudo. Era Verao. Corria o ano de 2009. E já nessa altura, tinha deixado de ser importante. 

Sempre te disse que no dia em que me quisesses explicar já nao iria ter importancia. Eu sempre tive umas premonicoes jeitosas. Talvez o instinto desconfiado e as facadas nas costas que tenho levado por aí ajudem.

Nao quero apontar-te o dedo e despejar a lista de defeitos que tens ou tiveste. Nao quero acusar-te e dizer-te onde erraste e o tamanho do buraco que fizeste no meu peito. Escrevi tudo o que me passou na alma na altura. Ofendi-te com todos os palavroes do diccionário. Insultei-te de tudo o que me ocorreu, porque para mim todos te acentavam como uma luva. Fiz-me de stalker e assaltei-te a caixa de e-mail e descobri alguma "verdade". Nao me orgulho de o ter feito, mas tambem nao me arrependo. Mil vezes a verdade que dói á mentira que se camufla de felicidade. Mas adiante. Eu sei. Tu sabes. E sarou. 

Nao deixei de acreditar no amor por tua causa (ok, durante uns tempos, deixei) nao fiquei incapacitada para o resto da vida ou ferida de morte. Levou tempo e nao foi de caras. Levou horas de psicanálise barata, até de madrugada. Levou drogas fortes que me fizessem esquecer. Levou abracos e ombros de gente que ainda hoje te odeia de morte. 

Mas um dia, nao sei qual, nem o mes, nem o ano, acordei e nao doía. Nao pesava lembrar-me de ti. E hoje apeteceu-me escrever sobre isso. Porque sei que me les? Talvez sim, talvez nao. Nao é importante. Porque me apeteceu. E eu sempre fui assim. De apetites. De fazer o que me apetece. Sem pensar, sem reflectir. Eu sempre fui mais coracao que cabeca. Mais emocao que razao.

E hoje a razao é que sou feliz. Longe, muito longe. Deu um trabalhao do caracas, envolveu emigrar e mudar a minha vida toda. Com um medo enorme que tudo voltasse a acontecer. Que um dia ele fosse uma cópia reles do que tu foste. Mas nao é! Nao lhes chegas á sola do sapato, quanto mais aos calcanhares. Diria "sem ofensa", mas ía parecer falso. 

Vale a pena cada vez que respiro. Feliz com as letras todas. FELIZ! Sim, houve alturas em que pensei que nao voltaria a ser. Mas depois de lambidas as feridas todas, de mais umas quantas quedas (sim, eu tenho tendecia para cair) o levantar foi qualquer coisa de enorme.

Pode parecer que te estou a esfregar na cara a minha felicidade. Talvez. Nao sei. É provável. Nao que queira ser mais que tu. Talvez seja apenas o bom sabor da vitória. O "consegui!" que durante tanto tempo achei que nao me estava destinado.

 E das nuvens onde vivo, olho para baixo (ou para trás, como quiseres) e sei que já nao faz mal. Que já nao doi. E que te perdoei (mais ou menos). E que espero que sejas feliz. Nao porque ache que merecas ou porque como sou catolica deva sentir assim. Só porque sim.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Levanta a cabeça, pá!

Sim, que isto de olhar para o chão, não está com nada!

Porque é que o raio do gato à porta do McDonlad's tinha de ser amarelo? E eu tinha de olhar para ele? O sacana olhou para mim, altivo, como quem me diz "Olha lá para minha coleira!"... E eu, que sou bem mandada e gosto de obedecer a gatos, lá olhei. Bem feita. O filha da p*** do gato tinha uma chapa com o nome gravado, em letras garrafais "HÉLDER". Pois.
E lá andou, a passear-se por perto, com uma confiança que não é normal os gatos darem a desconhecidos... e assim ficou grande parte do nosso almoço. Até que a menina do Mc lhe consegui ver o verso da chapinha e sacar o nº de telefone do dono, que rapidamente apareceu para levar o Hélder para casa.
Depois, lembro do que ele me diz "As coisas boas! Pensa nas coisas boas!". E faço por isso. Já que me estão sempre a lembrar que são tantas... Esqueço o Hélder perdido, a dor no ombro, a falta que me faz o meu pai, a minha casa que tarda, e os desgostos acumulados. E lembro-me que o Hélder encontrou dono, o ombro há-de sarar, o meu pai está sempre comigo e a casa está quase aí a rebentar!
E a Raquel quis furar as orelhas e eu fiz-lhe a vontade. Ficou tão feliz. E tão linda, com uma margarida pequenina em cada orelha!
A somar, tenho dois sobrinhos lindos. Um irmão e uma cunhada que se divertem a infernizar-me o juízo, e uma mãe me que atura e apara os golpes todos.
Mais do que isso, só me falta mesmo levantar a cabeça.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Dia de andar

Hoje devia ser dia. Mas acho (tenho quase a certeza) de que não vai ser.

Devia ser dia de levantar a cabeça. Dia de andar em vez de gatinhar. Dia de me levantar, virar a cara para a frente e seguir o meu caminho.

Não sei bem porquê, acordei com a sensação de que nada disso vai acontecer. Tenho de me mentalizar de que o vou ter de fazer sozinha. Por mim. Só eu. Disseste que ajudavas, mas há muito que deveria saber que não posso mais contar contigo. Para nada. Quanto mais me dizes que é para tudo, mais eu sei que será para nada.

Depois de tantos meses a apanhar cacos, a colá-los com saliva e a tentar disfarçar o negro, não sei mais se me consigo manter fiél. Ao que fui e ao que senti.

Sinto demasiada falta das minhas gargalhadas, das minhas piadas secas e do meu ar descontraído e bem disposto. Demasiada falta de mim. Do que eu era antes de me teres partido o que te dei.

Não devia ter sido assim. Não foi assim que eu escrevi. Tive de apagar muita coisa, reescrever muitas páginas da minha história. Simplesmente porque o que era um dia, deixou de o ser no dia seguinte.

Sei que sou maior que tudo isto. Sei que mereço mais do que me ficou reservado por um dia cruel. Sei que não és melhor do que eu. Sei que és apenas e só tão humano quanto eu. Cheio de defeitos e erros, apenas diferentes dos meus.

Não devias tê-lo dito, se não pretendias fazê-lo. Sei que agora só eu me posso ajudar.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Get a life

Eu não faço comentários anónimos em blog algum. Muito menos de meninas que não conheço.
Só devo fidelidade, amizade e reconhecimento a quem o merece. O que quer dizer que, se me chamaste filha da puta, obcecada, louca e com muito veneno para destilar, acabaste de sair do pacote.
Para quem se apregoava tão sério, deverias (antes de congratulares disso) ter consciência de que, se te apaixonaste por ela poucos dias antes de ela saber que estava grávida do outro, eras comprometido com outra pessoa. É só fazer as contas! Ah... pois, o teu curso foi outro...
E por aqui me fico, que o sorriso ali de baixo é mesmo sincero e o que eu queria mesmo era que fosses feliz. Mas tenho sérias dúvidas de que o vás conseguir. Tenho mesmo. A mesquinhez, o fraco carácter e a falta de tomates não ajuda.
Ah... apaga só o meu n.º e esquece que eu existo. Junta-te à lista, sim? E fica sossegado que eu não sou stalker. Muito menos de gentinha.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sabedoria infantil

Ontem à noite, já deitada, a Kel desabafa com a Avó.

Kel: Estou 'procurada' com a Mamã.

Avó: Preocupada? Mas preocupada porquê?

Kel: Porque lhe disse que a ajudava a resolver aquele problema e não consigo.

Avó: Não te preocupes. A tua Mãe resolve sozinha. Não penses mais nisso e dorme.

Kel: Óh 'Vó... mas foi só por causa de ser longe?

Avó: Não sei. Não penses mais nisso e dorme.

Kel: Ele é mesmo tolo! É que a minha Mãe é tãaaao linda!!!


Pois. A Raquel levou dois minutos para concluir aquilo que eu nem numa semana consegui!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sonhos falidos


Demasiado real para ser sonho, demasiado sonho para ser real. Mas realmente sonhado, na noite do último domingo.



Num balcão de um qualquer banco falido, prestes a ser nacionalizado, dirijo-me ao caixa.


- Eu queria fazer um levantamento. É um depósito a prazo, que fiz há cerca de um ano e meio e era suposto ser vitalício.


Desculpe mas não é possível.


- Como não é possível? Tem de ser possível!


Não, minha senhora, não é. Todas as contas estão congeladas, não é possível fazer qualquer movimento. Talvez depois da nacionalização. Agora é impossível.


- Chame o gerente, o administrador corrupto, o accionista inocente!! Alguém que me possa devolver o que depositei! Não me vou embora sem isso! - disse exaltada, furiosa, capaz de bater no tipo.


Esperei uns largos minutos, até que me apareceram uns engravatados de aspecto grave e decidido. Eram dois. Levaram-me para um canto e pediram-me para manter a calma. Que compreendiam a minha situação, mas que só me restava esperar...


Argumentei que a publicidade deles era enganosa, que se tinham assegurado de confiança, sérios, acima de qualquer dúvida, o melhor local para depósitos vitalícios, que pudessem render para toda a vida. Um investimento seguro, onde nada poderia falhar.


Mais uma vez, com um timbre de voz calmo mas firme, explicaram-me que nada havia a fazer. Que acontece aos melhores e que teria de compreender. Que voltasse mais tarde, ou que desistisse (entre dentes dissera-me que seria o melhor...).


Cabisbaixa concordei, não conformada, mas seguramente vencida. Quando já dava meia volta para a porta, um deles tocou-me no ombro e com ar complacente perguntou-me "Que tipo de depósito era o seu?"


Com os olhos rasos de água, levantei a cabeça e respondi-lhe "Depositei todo o meu amor. Vocês disseram-me que era eterno!".

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Repiscagem

Talvez um dos meus melhores textos... tem mais de um ano. E hoje escrevia-o de novo, porque continuo a acreditar que tudo é possível.

Azulejos & Piscinas

Não foi o sorriso, não foram os olhos. Não foi sequer a voz ou o toque da pele.Foi muito mais que isso.

Ele era construtor de piscinas, ela pintava azulejos.Esbarraram-se numa esquina, em Abril, ambos tão absortos nos seus problemas que nem deram um pelo outro. Quando chocaram, os orçamentos das piscinas dele misturaram-se com os desenhos dos azulejos dela.Nem se cumprimentaram. Nem pediram desculpas… andavam azedos com a vida e não tinham tempo a perder. Apanharam os papéis à pressa e seguiram, sem sequer se olharem devidamente.

Mais tarde, ela encontrou um papel que não era seu, no meio dos seus desenhos.Era um texto estranho… parecia um projecto de vida, alinhado por itens a cumprir, como se fosse uma promessa a alguém. Entre outras coisas, o homem com quem tinha esbarrado naquela tarde, tinha escrito:“Prometo nunca te mentir, prometo fazer tudo para te fazer feliz para o resto das nossas vidas .Queria que o compromisso ficasse escrito.”

Não estava dirigido a ninguém, não tinha destinatário, não começava com “Minha querida…” Ele apenas pedia desculpa por escrever numa folha de orçamento e assinava o seu nome.Ela arrepiou-se ao ler aquilo. Procurou no resto dos papéis se havia mais alguma coisa dele. Nada. Na folha de orçamento não havia nada que o identificasse, além do nome próprio. Não dormiu naquela noite…

Já ele, encontrou um desenho perdido no meio dos orçamentos. Um esboço de uma horta que ela sonhava um dia vir a ter… Ao lado do desenho haviam notas, com os nomes das coisas que queria plantar. E claro, um desenho tosco de um espantalho com uma tabuleta ao pescoço, onde se lia “Celdélio”.Ele riu-se com o projecto. Era engraçado e dava a sensação de ter sido desenhado com muito cuidado. Pensou nela, mas não tinha retido nenhum pormenor. Mal tinha olhado para ela. Maldisse a hora em que não perdeu tempo a reparar nela. Não dormiu naquela noite…

Projectos de piscinas e pinturas de azulejos à parte, nos dias que se seguiram, nem um nem outro pararam de pensar no que tinha acontecido.Ela guardou a folha de orçamento, muito direitinha, entre dois livros."Tudo o que ele sempre quis” de Anita Shreve e “Quero-te muito” de Pedro Strecht.

Ele, à homem, dobrou o desenho mais ou menos e enfiou-o na bolsa de fora da mochila com que andava todos os dias… Assim, tinha-o sempre por perto.Os dias foram passando e a lembrança de um e de outro não esmorecia… Imaginavam-se, abraçavam almofadas e falavam sozinhos.

Até que em Agosto, já quase em Setembro, ela decidiu-se a pedir um orçamento para a piscina. Ele chegou numa manhã quente, cumprimentou-a educadamente e ela encaminhou-o ao jardim.Nada despertou a atenção um do outro, tudo parecia normalíssimo, até que ele perguntou de que lado ela queria a piscina.Ele caminhava à frente dela quando a ouviu dizer:“Deste. Naquele lado vou fazer uma horta, com um espantalho chamado Celdélio”Ele gelou. Virou-se para ela devagar e olhou-a olhos nos olhos. Ela retribui o olhar, sentiu um arrepio e foi como se o tivesse conhecido toda a vida.

Hoje vivem juntos numa aldeia algures por aí. Não chegaram a construir a piscina. Ela deixou de pintar azulejos e fez um Horto. Ele continua a construir piscinas. E o Celdélio guarda o amor deles melhor que a própria horta.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O meu chapéu tem três bicos

Correu tudo muito bem! Se esquecermos que eu me engasguei a ler e que a Kélita esfregou as mangas da camisa nova na cobertura do cheesecake de morango...
A Princesa estava linda, apesar da febre. A comida divinal e o ambiente muito descontraído e bem disposto.

Paletes de crianças (6... só na nossa mesa!). E o meu mano e a minha cunhada sempre com partidas tontas... puseram as mesas a cantar canções infantis!
E a mim calhou-me "O meu chapéu tem três bicos" e digo "calhou-me" porque os meus companheiros de mesa já tinham fugido todos.
Momento alto em que, com a minha sobrinha ao colo, cantava sozinha com a sala toda a olhar para mim... Sim senhor, o mano é o maior!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Powered by IKEA

Fez ontem um ano. Daquelas histórias que, contadas, ninguém acredita...
Passava pouco das 2 da tarde. Queria tê-lo metido no saco e carregá-lo para todo o lado.
Fica lindo em qualquer canto, desde que comigo:-)
Foi uma promoção do catano!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Vou contar tudo o que meu amor tem


A música é mais do que apropriada, para a situação actual. Feliz, mas sem vintém. Não há tempo para procurar vídeo no youtube ou ficheiros mp3 para por no blog. Mas pesquisem que vale a pena.
Sem Vintém
Eu sei que o meu amor não tem vintém
Depois, o que é que tem, o que é que tem?
Eu sei que a sua vida é um vai-vem
Depois, o que é que tem, o que é que tem?

Mas eu que sei o quanto me quer bem
Vou contar tudo o que meu amor tem:

Tem gemas no olhar
E açúcar no falar
Gotinhas de limão à flor da pele
Faz bolo de amassar
Trouxinha de enrolar
Ninguém me adoça tanto como ele

Eu sei que o meu amor não tem vintém
Depois, o que é que tem, o que é que tem?

Eu sei que toda a terra é sua mãe
Herdou todo o amor que a terra tem.
E eu que sei mais dele que ninguém
Vou contar tudo o que meu amor tem:

Tem mãos de pianista
Pernas de equilibrista
E o casulo da fé no coração
Ele não tem mais nada
Mas diz que de mão dada
Os dois vamos dar volta à situação.


Ala dos Namorados

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Aleluia

Tive 5 minutos para ir buscar isto ao You Tube e não consigo cá pô-lo.

Mas fica aqui o link.

É do Rufus Wainwright e os meninos que a cantam são o Kurt Nilsen, o Espen Lind, o Askil Holm e o Alejandro Fuentes... Um espectáculo!

Nunca tinha ouvido falar deles. Nada como 5 minutos no You Tube para eu ficar bem disposta. Eu sou fácil de contentar!

Se tiver um tempinho, mais tarde volto para contar o que foi a minha semana.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

He just called...

To say He loves me!

A Soma dos Dias

O meu Homem acertou em cheio numa das prendas de Natal.

Comecei ontem a ler A Soma dos Dias de Isabel Allende.


Há coisas estranhas. Nunca tinha lido um livro dela. Não sei porquê, mas tinha uma resistência aos livros dela. Sem explicação. Já várias pessoas me tinham gabado a escrita dela, mas eu continuava a achar que não gostava.


É uma mistura de livro de memórias, auto-biografia e diário. Estou a adorar.
Ontem à noite tive de me obrigar a parar, senão lia o livro de empreitada, até às tantas da manhã. Li uma meia dúzia de capitulos. Não vou demorar muito a terminá-lo.

As manualidades roubam-me tempo à leitura. Tenho 4 encomendas para acabar, mas agora tenho de ler este livro.

Além deste, há mais uns seis por ler na mesa de cabeceira. Os últimos do José Rodrigues dos Santos e do Miguel Sousa Tavares, mais um do Nicolas Sparks (a meio), O Português que nos pariu, da Ângela Dutra de Menezes (também a meio) e Inês de Castro - A Estalagem dos Assombros, de Seomara da Veiga Ferreira...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Ah e tal... o blog fez um ano!

Bolas... Como o tempo passa. Parece que foi ontem. Um sábado chuvoso, uma brutal dor de cabeça e vapt, vupt... nasceu o Devagar, a 5 de Janeiro de 2007.

Com ele vieram mais dores de cabeça, amigos que nunca vi (como o grande JP), ressabiados que já se deram ao trabalho de ir pastar para outro lado (Graças a Deus Nosso Senhor, que já faltava paciência) amigos de há uns anos que também fizeram blogs, uns mais secretos que outros...

Disse, a páginas tantas, que este blog era mais para mim do que para quem quer que fosse. Uma terapia só minha, egoísta. Sempre escrevi o que me deu na real gana e quem não gostasse que fosse andando.

Alturas houve em que a actualização deste espaço era uma prioridade. Não havia um dia que não escrevesse, que não respondesse a comentários ou procurasse saber quem me visitou. Há uns meses deixou de ser assim.

Coisas mais importantes surgiram na minha vida. Nunca escrevi para ninguém, portanto também não deixei ninguém, directamente, pendurado. Quem me lê/lia de maneira assídua, rapidamente entendeu que maiores interesses passaram a preencher o meu dia-a-dia.

Não fosse este blog e talvez nunca teria encontrado quem me faz feliz. Mas bendita a hora em que o fiz. Não o ter feito poderia significar nunca ter conhecido o Homem da minha vida… Nunca o saberei.

Acabei de passar mais de uma semana sem Internet. Não senti a menor falta. Tive umas férias fantásticas, longe da confusão e do barulho, muito apaparicada por quem me ama e me atura.

Estou bem. Muito bem. E nem me chateiam as seguintes “tretas”:

- Estão a tentar fazer-me a folha no emprego;
- “Alguém” fez queixa de mim ao Tribunal de Menores;
- A minha conta bancária tem dois dígitos (positivos, por enquanto…).

Não me interessa… Estou muito bem e nada me incomoda mais do que deveria. São “peanuts” perto do meu estado positivo e bem disposto. Arreliam, mas não chegam para estragar.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

91 dias

2,184 horas, 131,040 minutos, 7.862,400 segundos.

Parece pouco? Não. Já te conheço há muito mais. De outras vidas que não se contam, de outras horas onde nem haviam relógios… de sempre.

Apesar da probabilidade ínfima de nos cruzarmos, cruzámo-nos. Apesar da distância, estamos juntos. Quando nada fazia supor, quando tu não procuravas e eu estava cansada de procurar, alguma coisa nos juntou. O “cozinheiro”, os astros, quiçá a Divina Providência.

Conheço-te há bem mais de 3 meses. Esse olhar que fazes quando te ris das asneiras dos miúdos… quando disfarças o riso, ao perceber que estou a olhar para ti… já o conheço de há muito.

A maneira como arqueias o sobrolho esquerdo (que o mais velho faz igualzinho a ti) quando pões um ar indignado, a sério ou não.

As frases giras que dizes, como “Ai caramba” e “Bem hajas”…O ar sério que pões quando ralhas com os pimpolhos e depois olhas para mim tristinho, como quem diz “Tem de ser!”.

As palhaçadas, as brincadeiras, as gargalhadas… as canções.

Como é que eu posso dizer que existia, se não conhecia essa maravilha de música que é o "Zeca"?

Zeca era patife
Zeca era ladrão
Zeca quis roubar um bife
E só roubou um pão
Eu atirei-me ao Zeca
Grande confusão
O pão girou no ar
Caiu na minha mão
Ta-ra-ra-ra
Ta-ra-ra-ra
Ta-ra-ra-ra



Cantada em coro, com coreografias e muito acima do volume aceitável.

Mas sabes bem que não é só isso. É muito mais do que algum dia poderei escrever. Muito mais do que simples palavras.

Mas resume-se a uma dança no quarto, ao som do rádio da cabine do chuveiro, ao chá que me preparas antes de irmos dormir, ao “Amote” que me escreveste numa pedra (e que eu emoldurei) ao abraço que me dás e onde cabe o meu mundo inteiro.

Está tudo, como diz o nosso mais velho “na maneira” como nós nos olhamos.

Por três meses de pura felicidade. Felicidade que eu pensei que só existia nos contos de fada e nos filmes lamechas. Por me amares como eu sou, sem queres mudar nada. Por seres como és, lindo por dentro e por fora.
Por Tudo. Amote meu Homem.