Novela (que podia ser mexicana) com um número infindável de episódios e protagonistas a mais, vendida em pacotes económicos aos países do leste europeu. Enredo muito intrincado, malfeitores qb, doses exageradas de sacanices, facadas nas costas e muitas figurantes com língua de porteira. A única coisa que vale a pena no meio desta salganhada toda?! A protagonista, que interpreta este argumento sem mudar uma vírgula... ou não fosse isto a sua vida.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Santa ingenuidade

O Zé Maria estava sozinho e carente. Por falta de experiência, alguma ingenuidade e muita fé no próximo, fez um perfil num site de encontros.
Como introdução, escreveu "Se és alguém que insiste em como o amor não existe, acredita porque eu já vi, ele anda por aqui!". Pela foto, não dava para tirar grandes conclusões... Mas isso não era o mais importante. Estava inspirado. Zé Maria sentiu-se orgulhoso do seu perfil.

Esperou. Mas esperou pouco. Os convites choveram. Um deles, um email de página e meia, chamou-lhe a atenção. Falava dela, da família, do local onde vivia... Estiva Gerbi, uma cidadezinha no Sudeste do estado de São Paulo, com pouco mais de 10 mil habitantes. Dizia-lhe que tinha adorado a frase dele e dava-lhe o email para conversarem no messenger. Assinava "Línia" (de Wanslínia, como depois ficou a saber).

Zé Maria ficou entusiasmado. No perfil dela, a foto era de uma rapariga morena, de olhos castanhos, muito bonita.
Falaram no messenger. Depois ao telefone. Passados quatro dias, Línia já estava de malas feitas para Portugal. Parece que tinha uma tia em Lisboa. Zé Maria ficou surpreendido com a rapidez. Mas de tão ingénuo que era, tudo lhe parecia bem. E ela era tão linda!
Moça de boas famílias, aos 29 anos, Línia não poderia vir sem que Zé Maria falasse com o seu pai (dela). "Para saber quais são suas intenções" disse-lhe. Zé Maria, de peito inchado e coração aberto, falou com Seu Flaviano, juíz aposentado. As intenções eram as melhores e o pai, preocupado, descansou os medos. Línia viria a Portugal.
Mas (há sempre um mas, não é?)... havia um pequeno problema. De quatro dígitos. Faltavam 1.400 reais para a passagem. O Seu Flaviano disse-lhe que havia forma de enviar o dinheiro pelos correios e deu-lhe o nome de uma empresa de câmbios e um código. Zé Maria esmoreceu. Não percebia nada dessas coisas. E agora?
Num acesso de lucidez, falou com a sua melhor amiga. Que o insultou de tudo quanto havia. Que lhe disse que aquilo era tramóia, que só lhe queriam sacar dinheiro. Que, provavelmente, o "pai" era o amante dela.
Zé Maria, na defesa da honra de Línia - que era tão linda - abanava a cabeça e afirmava "Naaaaaaaa! Ela é séria!!!". A amiga perguntava-lhe como podia ele ter a certeza. E ele contou-lhe que ela lhe tinha confidenciado um pormenor íntimo. Muito íntimo. Que era alérgica a "camisinha". A amiga riu-se. "És mesmo tonto! Não vês que isso era só para ficares mais entusiasmado?!".
Seria? Não acreditava. Respirou fundo. Escreveu a Línia a dizer que tinha muita pena. Que não podia enviar o dinheiro. No dia seguinte, Seu Flaviano ligou-lhe. Línia tinha chorado a noite inteira. No desespero de a ver assim, tinha vendido algumas jóias de sua "mamãe" e agora já só faltavam 700 reais.
Zé Maria desligou-lhe o telefone. A amiga deveria ter razão. A última coisa que Línia lhe disse foi "Sai do meu msn!". E ele saiu.
Nunca mais voltou ao site de encontros, onde agora as mensagens e alertas se acumulam sem resposta. Zé Maria não desistiu, mas acha que o amor não está em Estiva Gerbi. Não pode estar tão longe. Tem de estar mais perto, por aqui.

1 comentário:

A melhor amiga disse...

Ai Zé Maria...a net tem tantas e boas utilidades, mas mais um conselho...nunca se deve comprar lá nada sem que tenha a informação de "pagamento site seguro SSL"!!