Novela (que podia ser mexicana) com um número infindável de episódios e protagonistas a mais, vendida em pacotes económicos aos países do leste europeu. Enredo muito intrincado, malfeitores qb, doses exageradas de sacanices, facadas nas costas e muitas figurantes com língua de porteira. A única coisa que vale a pena no meio desta salganhada toda?! A protagonista, que interpreta este argumento sem mudar uma vírgula... ou não fosse isto a sua vida.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

...

Recomeçou a chorar quando me viu. Um choro contido, controlado, atrofiado pelos calmantes que a fizeram tomar.
Dei-lhe um abraço apertado. Alguém lhe segurava numa mão. Fiquei um bocadinho ao seu lado, sem dizer nada, apenas a passar-lhe a mão pelas costas, enquanto a olhava.
"Até um filhinho me levam!" disse-me baixinho. Confortei-a de uma forma inútil, estúpida até. Mas é a única que conheço. "Tem de ter força, muita força".
"Eu não sei onde tenho mais força."
Ao vê-la ali, viva, de pé, admirei-a. Depois de ter tido um ano desastroso em que tirou um peito, fez e continua a fazer quimioterapia e em que, no dia a seguir ao Natal, perdeu uma filha de 31 anos num acidente, continua de pé.
Resta-lhe uma neta, de 3 meses, orfã de mãe. Que sobreviveu ao acidente sem um único arranhão. Será a ela que irá certamente buscar a força de que tanto precisa.
Despedi-me dela com dois beijos. E não lhe consegui desejar um Bom Ano. Pareceu estranho dizê-lo.

Admiro-a. E com esta admiração sinto uma tristeza profunda pela sua desgraça.

2 comentários:

Ervi Mendel disse...

Devias pôr uma laminazinha ensanguentada no canto superior direito dos posts deste tipo. Só assim para avisar a malta!!!!

Maria do Desassossego disse...

Ervi,
Sorry... Para a próxima não falha.

Bom ano!