Novela (que podia ser mexicana) com um número infindável de episódios e protagonistas a mais, vendida em pacotes económicos aos países do leste europeu. Enredo muito intrincado, malfeitores qb, doses exageradas de sacanices, facadas nas costas e muitas figurantes com língua de porteira. A única coisa que vale a pena no meio desta salganhada toda?! A protagonista, que interpreta este argumento sem mudar uma vírgula... ou não fosse isto a sua vida.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sonhos falidos


Demasiado real para ser sonho, demasiado sonho para ser real. Mas realmente sonhado, na noite do último domingo.



Num balcão de um qualquer banco falido, prestes a ser nacionalizado, dirijo-me ao caixa.


- Eu queria fazer um levantamento. É um depósito a prazo, que fiz há cerca de um ano e meio e era suposto ser vitalício.


Desculpe mas não é possível.


- Como não é possível? Tem de ser possível!


Não, minha senhora, não é. Todas as contas estão congeladas, não é possível fazer qualquer movimento. Talvez depois da nacionalização. Agora é impossível.


- Chame o gerente, o administrador corrupto, o accionista inocente!! Alguém que me possa devolver o que depositei! Não me vou embora sem isso! - disse exaltada, furiosa, capaz de bater no tipo.


Esperei uns largos minutos, até que me apareceram uns engravatados de aspecto grave e decidido. Eram dois. Levaram-me para um canto e pediram-me para manter a calma. Que compreendiam a minha situação, mas que só me restava esperar...


Argumentei que a publicidade deles era enganosa, que se tinham assegurado de confiança, sérios, acima de qualquer dúvida, o melhor local para depósitos vitalícios, que pudessem render para toda a vida. Um investimento seguro, onde nada poderia falhar.


Mais uma vez, com um timbre de voz calmo mas firme, explicaram-me que nada havia a fazer. Que acontece aos melhores e que teria de compreender. Que voltasse mais tarde, ou que desistisse (entre dentes dissera-me que seria o melhor...).


Cabisbaixa concordei, não conformada, mas seguramente vencida. Quando já dava meia volta para a porta, um deles tocou-me no ombro e com ar complacente perguntou-me "Que tipo de depósito era o seu?"


Com os olhos rasos de água, levantei a cabeça e respondi-lhe "Depositei todo o meu amor. Vocês disseram-me que era eterno!".

4 comentários:

xunana disse...

Pois... hoje foste tu a estar na berlinda, calha a todas!

Beijo grande,
xunana

Maria do Desassossego disse...

Xu,

Já se sabe que num qq encontro da Turminha, alguém tem de ser o bobo!

Para a próxima será outra (digo eu...)

Beijos

João Paulo Cardoso disse...

Este texto...

... tem qualquer coisa de...

... inebriante...

Gostei muito.

É uma parábola, não é?

(isto sou eu a tentar tirar nabos da púcara, seguindo as pistas dos marcadores...)

Beijos.

Maria do Desassossego disse...

JP,

Parábola, não digo... mas que tem muito que se lhe diga, tem.

E o mais fantástico, é que o sonhei mesmo!

Beijos