Novela (que podia ser mexicana) com um número infindável de episódios e protagonistas a mais, vendida em pacotes económicos aos países do leste europeu. Enredo muito intrincado, malfeitores qb, doses exageradas de sacanices, facadas nas costas e muitas figurantes com língua de porteira. A única coisa que vale a pena no meio desta salganhada toda?! A protagonista, que interpreta este argumento sem mudar uma vírgula... ou não fosse isto a sua vida.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

De dentro da minha alma, que é onde me dói

Ando a tentar ganhar algum distanciamento, para poder analisar tudo, como eu tanto gosto.
O 'porquê' já não me interessa, o 'como' intriga-me e o 'depois', definitivamente, é o que mais me prende.
Mas hoje, não sei bem de onde me veio isto, mas o certo é que atingi um plano mais alto. Olhei para dentro e pensei que se já estive num buraco tão, mas tão, mais escuro e fundo, nada nem ninguém me poderão magoar mais do que aquilo que eu venha a deixar.
Eu já estive onde muitos estiveram, mas voltei para contar a história. Sei-a tintim por tintim, com todos os pormenores feios e dolorosos que muitos preferem esquecer e fazer de conta que não sabem.
Vivi num mundo escuro, à luz de uma vela pequenina. Quando me tentaram apagar a vela, agarrei-me a ela com todas as minhas forças. Queimei-me e doeu muito. Mas sarei a ferida por mim. Como que trata um golpe profundo com pensos rápidos e desinfecções caseiras.
Curei-me. Sei todos os sintomas do que me atira para o poço, por isso sei que só caio lá dentro se quiser. Tenho a vantagem de ter tomado tudo e mais alguma coisa. Todas as drogas, calmantes, anti-depressivos, ansióliticos, anti-psicóticos...
Experimentei todos os inibidores da recaptação da serotonina disponíveis no mercado.
Há os que têm faltas de ferro... Eu tenho valores baixos de serotonina no sistema nervoso central.
E agora, quando me perguntam o que ando a tomar, respondo calmamente "Nada." E é mesmo assim. Nem um calmantezito natural como o valdispert.... nada!
Talvez porque já me conheça, porque a idade me tem ensinado algumas coisas. Sei onde me dói e o que tenho de fazer para que deixe de doer.
É quase como partir uma perna e por-lhe gesso. É colocar o coração ao alto, deixo-lo quieto e sossegado. Porque partido não me serve para nada, e apenas dói.
O céu está escuro e nublado e tem chovido todos os dias no meu quintal. Mas ali á frente, não muito longe daqui, há sol. E é para lá que eu vou. Devagar. Muito devagar. Mas eu sei que chego lá não tarda. Porque o mereço e o merecem todos os que caminham comigo.
Eu chego lá.

4 comentários:

Pedro Viegas disse...

Que grande texto, cheio de força, presença, perseverança, atitude, crescimento, vontade, convicção.
É de pessoas assim que o Mundo precisa. És um bom exemplo para todos aqueles que cairam e não se conseguem levantar.
Lamber feridas faz parte do crescimento... mas elas curam-se, nem que tenhamos de viver com as cicatrizes.
Afinal, também podem ser medalhas de guerra... VITORIOSAS.

JP

Maria do Desassossego disse...

Pedro (já ando trocada com os JP's)

É quando estou mais triste, mais down, que me tudo me sai melhor... Dou por mim a esforçar-me mais em tudo e a dar mais de mim em cada coisita que faço!

E estes textos (há mais assim por aqui) são praticamente "cuspidos". Como que se deitá-los cá para fora fosse uma purga necessária, indispensável à minha "cura".

Obrigada
Beijos

João Paulo Cardoso disse...

Eu também tenho valores baixos de serotonina no sistema nervoso central.

A sério.

Continua com essa força que é tua, 100% natural, "sem corantes nem conservantes".

Beijos.

Maria do Desassossego disse...

JP,

Esta coisa dos níveis baixos de serotonina só acontece aos bons. Aliás... aos MUITO bons!

Beijo